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Dominatio

dezembro 15, 2008
Eu quero é derrapar
Nas curvas do seu corpo
Surpreender seus movimentos


Virar o jogo


Eu quero é beber, o que dele
Escorre pela pele
E nunca mais esfriar
Minha febre…
Isabela Taviani
(LUXÚRIA)
foto by Jean_delville

foto by Jean_delville

Prometo
ser carinhosa e delicada
Despir-te devagarzinho…
Sentir teu cheiro, teu calor…
E num beijo longo
fazer crescer o teu desejo
depois … entregar-me
ao transe louco e incessante
vagueando em cada centímetro do teu corpo
qual mulher dos ventos, dos raios e tempestades
exalando perfume de rosas vermelhas
na tua pele quente e escorregadia

Sabes que gosto de dominar
que adoro cavalgar em teu corpo
a bel prazer
desvairada
extasiada
na loucura infernal
que de mim se apossa
e a que me entrego
sem pudores

Te prometo
uma dor, um grito selvagem
que te fará explodir de prazer
expelindo o teu gozo farto
entre gargalhos e gemidos
sabes que gosto assim…
E quando esta mulher intempestuosa
saciada se for
tornar-me aragem suave
banhar-te em mansas águas
e te fazer sonhar….
Sonhos azuis
com os carinhos meus.
Postado por Desnuda ( http://samdesnuda.blogspot.com)

 

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O HOMEM, A LUTA E A ETERNIDADE

dezembro 15, 2008
Adivinho nos planos da consciência
dois arcanjos lutando com esferas e pensamentos
mundo de planetas em fogo
vertigem
desequilíbrio de forças,
matéria em convulsão ardendo pra se definir.
Ó alma que não conhece todas as suas possibilidades,
o mundo ainda é pequeno pra te encher.
Abala as colunas da realidade,
desperta os ritmos que estão dormindo.
À guerra! Olha os arcanjos se esfacelando!
Um dia a morte devolverá meu corpo,
minha cabeça devolverá meus pensamentos ruins
meus olhos verão a luz da perfeição
e não haverá mais tempo.

Murilo Mendes.
Liberdade!
Antologia de Rui Barbosa
Liberdade! Entre tantos, que te trazem na boca, sem te sentirem no coração, eu posso dar testemunho da tua identidade, definir a expressão do teu nome, vingar a pureza do teu evangelho; porque, no fundo da minha consciência eu te vejo incessantemente como estrela no fundo obscuro do espaço.(…)
Enquanto a fascinação do teu prestígio podia ser útil a uma deslocação do poder, tua áurea lenda foi o estribilho dos entusiastas, dos ambiciosos e dos iludidos (…) tu és o centro do sistema, onde ambas essas idéias alongam as suas órbitas, e, no dia em que te apagasses, ou desaparecesses do universo moral, a que presides, incalculáveis perturbações transtornariam a ordem das esferas políticas, abismando a pátria e a república no eclipse de uma noite indefinida.
Dos que deveras te amam, e te entendem, nem a república, nem a pátria podem receber detrimento; pois tu és para uma e para outra a maior das necessidades, a mais segura das garantias.
A democracia, que te nega, ou te cerceia, engoda os povos com o chamariz de uma soberania falsa, cujo destino acaba sempre às mãos das facções, ou dos aventureiros, que a exploram.Não te chamas dominação: chamas-te igualdade, tolerância e justiça.
 
Somos todos poetas
Murilo Mendes
.
Assisto em mim a um desdobrar de planos.
as mãos vêem, os olhos ouvem, o cérebro se move,
A luz desce das origens através dos tempos
E caminha desde já
Na frente dos meus sucessores.
Companheiro,
Eu sou tu, sou membro do teu corpo e adubo da tua alma.
Sou todos e sou um,
Sou responsável pela lepra do leproso e pela órbita vazia do cego,
Pelos gritos isolados que não entraram no coro.
Sou responsável pelas auroras que não se levantam
E pela angústia que cresce dia a dia.
Publicado no Blog Nova Águia – O BLOGUE DA LUSOFONIA  em 15 de dezembro de 2009 (http://novaaguia.blogspot.com/)

 

(O Homem, a luta e a eternidade)

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O PODER

dezembro 15, 2008

Eis o poder: seus palácios

hospedam reis e vassalos,

messalinas, pagens glabros,

eunucos, aias e lacaios,

e até artistas e ratos

 

 

 

 

Uma só  migalha basta

à sordícia que se alastra,

e pronto surge uma talha

onde o cenário é lavado

para o próximo espetáculo.

 

O poder é assim: devasta

corrompe, avilta, enxovalha,

do reles pároco ao papa,

e não há um só que escape

ao seu melífluo contágio.

 

Se alguém o nega ou o afasta,

compram-no logo, à socapa,

a peso de ouro ou de prata.

E se caso não o fazem,

mais simples ainda: matam-no.

 

Tem o poder muitas faces:

a que se crispa, indignada,

 a que te olha de soslaio,

a que purga e chega às lágrimas,

 a que se oculta, enigmática.

 

Mas são apenas disfarces,

formas várias que se esgarçam,

por entre véus e grinaldas,

porque assim vertem mais fácil

o vitríolo em tua taça.

 

E tu, rei de Tule, aos lábios

levas sempre, ávido, o cálice,

não por amor nem saudade

de quem se foi, entre vagas,

de um castelo à orla do mar,

 

mas só porque, embriagado,

são de engodo as tuas asas

e de cobiça os teus passos,

que vão além das sandálias

e se arrastam rumo ao nada.

 

O poder é aquele pássaro

Que te aguarda sob os galhos.

Tudo ele dá, perdulário.

De ti quer apenas a alma.

Por inteiro. Ou a retalho.

 

 

Ivan Junqueira, Rio de Janeiro, 1934

 

 

( Transcrito de Poemas reunidos, PP.242-243)

Publicado no Bar do Ossian em 14 de dezembro de 2008

http://renascimentolusitano.blogspot.com/

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O menino, a viola e o sonho

outubro 27, 2008

Foto Nuno de Sousa

 

O menino apressa o passo
Olha a rua, os muros grafitados
Mas seus pensamentos voam
Por onde caminha não sente o chão,
As pedras, a brisa morna da tarde.
O peso que carrega nas costas é leve
São algodões de sonhos e esperança
Sua vida dura é o peso que lhe faz suar
Todas as agruras, enxugadas pela viola
Pensa na mãe que com carinho o espera
Após um dia de intenso trabalho
Para que seu filho possa sonhar
Ele, a sua esperança e vida
Ela, a que o abençoa todos os dias
Para que possa fazer dos seus sonhos
Realidade, promessa de vida melhor.
A melodia o acompanha
Enquanto sonha, a caminho de casa,
Um mundo melhor.

 

SamDesnuda

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Florbela Espanca

outubro 6, 2008

ALENTEJO by Raphael, o pensativo

 

Tudo é tranquilo e casto e sonhador…

Olhando esta paisagem que é uma tela

De Deus, eu penso então: Onde há pintor

Onde há artista de saber profundo

Que possa imaginar coisa mais bela

Mais delicada e linda neste Mundo?

 

Florbela Espanca

 

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A BOA E A MÁ ÁRVORE

outubro 2, 2008

RUI BARBOSA

 

 

Ruy Barbosa de Oliveira (Salvador, 5 /11/ 1849 — Petrópolis, 1 /03 /1923) . Jurista, político, diplomata, escritor, filólogo, tradutor e orador brasileiro.

 


A BOA E A MÁ ÁRVORE

 

 

Árvores há, de boa semente, boa terra e bons ares, que se criaram, para encantar os olhos com a formosura de sua grandeza, e proteger as criaturas com o benefício do seu abrigo. Um chão de bênção lhes recebeu as raízes. Medraram, enrijando contra as intempéries e os ventos. Filhas de um solo generoso, o tronco lhes cresceu, avultou e subiu, engrossando com os anos, que se lhe enrugam na corcha vigorosa. Da profunda cortiça, atrás da qual lhes circula a exuberância da seiva, bracejam os ramos, carregados de flores, frutos e sombra. As tormentas não as assustam: não lhes atravessam a basta frondescência os aguaceiros da invernia. Dir-se-ia que o tempo repoisa debaixo da sua copa, e a sua majestade se estende por sôbre a natureza que as cerca.

 

 

Outras, pelo contrário, como se trouxessem maldição desde a semente, vêm à luz mesquinhas e amofinadas, logo a assomar do primeiro rebento à flor da terra esmarrida. O caule, magro e torturado, se lhes esgalga, definhando. As vergônteas enfezadas se agüentam a custo, parecendo rever tristezas e cansaço. Desflorida, estéril, calva de folhagem, a ramaria agita contra a luz o espetro da sua nudez, que os musgos, os fetos, as parasitas, as lianas do mal envolvem nos restos de um sudário esgarçado e rôto. Os dias a vão mirrando, em vez de a reviçarem; do lenho esgrouviado e sêco se lhe extingue a vida; as últimas sementes da sua inanição lhe juncam por baixo o raizame descoberto, enquanto, pelos galhos, que estalam de aridez, raro se avista ainda um ou outro pomo a cair de carcomido e pêco.

 

 

*Discurso proferido na cidade de Alagoinhas, na Bahia, em 3 de dezembro de 1919. Transcrição do livro Antologia de Rui Barbosa ( Luís Viana Filho).

 

 

 

 

 

Texto publicado por SAM no Nova Aguia: O BLOGUE DA LUSOFONIA

http://novaaguia.blogspot

 

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Nosso povo brasileiro

setembro 28, 2008

(…)
meu povo é doce
malandro sensual
é um povo gostoso
dançarino musical

meu povo é mestiço
linguarudo fofoqueiro
é um povo inteligente,
ignorante e condoreiro

(…)

 

 

 

Estes fragmentos da poesia de Glauber Rocha (cineasta, ator e escritor) retratam bem o povo brasileiro. É um povo com características peculiares de cada região, todas ricas em folclores e tradições. Em cada brasileiro, o linguajar é melodioso e característico. Povo surgido de diferentes matizes e matrizes, onde muitos são sábios iletrados.Darcy Ribeiro, em seu livro O Povo Brasileiro, descreve-o como um povo novo porque surge como uma etnia nacional, diferenciada culturalmente de suas matrizes formadoras, fortemente mestiças, dinamizada por uma cultura sincrética e singularizada pela redefinição de traços culturais oriundos.
Nesta reconstituição, ele enfatiza a confluência, ou seja, fala da união ocorrida entre portugueses, índios e negros, matrizes étnicas do Brasileiro. Ainda uma esclarecedora visão de Darcy Ribeiro, de um brasileiro para brasileiros :

 

 

“Foi desindianizando o índio, desafricanizando o negro, deseuropeizando o europeu e fundindo suas heranças culturais que nos fizemos. Somos, em consequência, um povo síntese, mestiço na carne e na alma, orgulhoso de si mesmo, porque entre nós a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Um povo sem peias que nos atenham a qualquer servidão, desafiado a florescer, finalmente, como uma civilização nova, autônoma e melhor. Nossa matriz africana é a mais abrasileirada delas. Já na primeira geração, o negro, nascido aqui, é um brasileiro. O era antes mesmo do brasileiro existir, reconhecido e assumido como tal. O era, porque só aqui ele saberia viver, falando como sua língua do amo. Língua que não só difundiu e se fixou nas áreas, onde mais se concentrou, mas amoldou, fazendo do idioma o Brasil um português falado por bocas negras, o que se constata ouvindo o sotaque de Lisboa e de Luanda..”

“Também, porque se vê a si mesmo e é visto como uma gente nova, um novo gênero humano diferente de quantos existam. E, porque é um novo modelo de estruturação societária, que inaugura uma forma fundada num tipo renovado de escravismo e numa servidão continuada ao mercado mundial. Novo, inclusive, pela inverossímel alegria e espantosa vontade de felicidade, num povo tão sacrificado, que alenta e comove todos os brasileiros.” (O Povo Brasileiro, Darcy Ribeiro).
Através da música e da literatura, podemos traçar um perfil deste povo moreno, caboclo, com variados tipos – do rural ao urbano – que caracterizam os ” Brasis” (Crioulo, caboclo, sertanejo, caipira, e os Brasis sulinos: gaúchos, matutos e gringos).
Jeca Tatu, personagem de Monteiro Lobato eternizou-se no linguajar designativo e pejorativo do roceiro. O Operário em Construção, de Vinicius de Moraes, retrata o tipo urbano pobre. O malandro, tipo bem brasileiro, a personificação de Bezerra da Silva e tão bem retratado nas músicas de Chico Buarque. Além de inúmeras figuras como João Francisco dos Santos, o Madame Satã, transformista brasileiro. Ainda na música Zé do Caroço de Leci Brandão , retrato bem atual de mais um tipo brasileiro.

Não deixo aqui o registro apenas das tipificações masculinas. As mulheres brasileiras, a sua força e bravura tiveram grande influência neste meu Brasil. De Amélia (música de Mário Lago) que exalta a mulher cordata, servil, companheira e passiva a inúmeras outras mulheres que infrigiram normas sociais e culturais como Chiquinha Gonzaga, que revolucionou a nossa música e hábitos, com o toque sensual e brejeiro da mulher brasileira.
Não poderia de registrar aqui a fortaleza, a garra da mulher nordestina, As paraibanas, chamadas mulher-macho, em nada incorpora a mulher masculinizada, mas a sua garra e fortaleza.
Belezas mulatas e índias são retratadas na literatura, música e pelos pincéis de Di Cavalcanti e Candido Portinari.
Finalizo, com uma pequena estrofe da poesia de Gilberto Freyre, “O Outro Brasil Que Vem Aí”

 

(…)

.
Eu ouço as vozes

eu vejo as cores

eu sinto os passos

de outro Brasil que vem aí

mais tropical

mais fraternal

mais brasileiro.

 (…)

 

 

Texto publicado por SAM no Nova Aguia: O BLOGUE DA LUSOFONIA

http://novaaguia.blogspot.com/