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Tecendo o Amanhã

novembro 5, 2009

“Só é meu
O país que trago dentro da alma”

“Só é meu
O mundo que trago dentro da alma.”

* Tradução de Manuel Bandeira ( Um poema de Chagall)

Tarcila do Amaral, Operários (1933); Simbolo da Primavera dos MuseusTarcila do Amaral, Operários (1933); Simbolo da Primavera dos Museus

 

1

Um galo sozinho não tece uma manhã:

ele precisará sempre de outros galos.

 De um que apanhe esse grito que ele

 e o lance a outro; de um outro galo

 que apanhe o grito de um galo antes

 e o lance a outro; e de outros galos

 que com muitos outros galos se cruzem

 os fios de sol de seus gritos de galos,

 para que a manhã, desde uma teia tênue,

 se vá tecendo, entre todos os galos.

2

E se encorpando em tela, entre todos,

se erguendo tenda, onde entrem todos,

se entretendendo para todos, no toldo

(a manhã) que plana livre de armação.

A manhã, toldo de um tecido tão aéreo

que, tecido, se eleva por si: luz balão.

 

João Cabral de Melo Neto

(A Educação pela Pedra)

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