Archive for maio \19\UTC 2009

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Dança Púrpura

maio 19, 2009

 Foto: Dança Púrpura, Gerson Gonçalo

Você chega

Faz da minha boca

A entrada

Do meu corpo

Morada

.

Corpos

Ávidos

Sedentos

Procuram-se

 

Desejo

Paixão

Amor

Ternura

.Misturam-se

 

A natureza dança

Sob sons

De gemidos

E sussurros

Purpúreos

.
Flutuo

Entre espaços

 

Desnuda

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Sentidos

maio 19, 2009
Meu corpo são sentidos
Que se afloram quando te ve
Salivo prazer…

 

Gosto das tuas mãos quentes e libertinas no meu corpo, da tua língua que tenta aplacar o fogo do meu sexo, da tua boca ávida sorvendo o meu mel sugando-me até as entranhas; das tuas palavras indecentes que me deixam em brasa; do nosso despudor nas brincadeiras e fantasias , do incender do sexo e do odor deste incensar; desta entrega sem reservas e desta sede ao pote da vida celebrando o amor; desta dança puro instinto que me leva ao ápice do prazer.
*
Postado em Desnuda(http://samdesnuda.blogspot.com/)
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Maria Firmina dos Reis, a ” Maranhense”

maio 19, 2009

 Maria Firmina dos Reis

Uma das raríssimas gravuras de Maria Firma dos Reis encontrada na Biblioteca Pública de São Luis – MA

Primeira poetisa maranhense, (1825 – 1917). Era mulata e bastarda. Maria Firmina escreveu e publicou por muito tempo, crônicas, poesias, ficção e até charadas. Mulher inteligente e culta teve participação relevante no cenário cultural nacional, atuando também como folclorista e compositora, tendo sido, inclusive, responsável pelo hino da Abolição da Escravatura. Como romancista teve duas grandes publicações: Gupeva, de temática indianista, publicado em 1861 e Úrsula, publicado em 1859 onde assinara a obra sob o pseudônimo de “Uma maranhense”. Este último configura-se como o primeiro romance abolicionista da literatura brasileira e primeiro escrito por uma mulher no Brasil, e, em 1871, Cantos à Beira Mar. Faleceu aos 92 anos de idade.

Ah! Não Posso
Se uma frase se pudesse
Do meu peito destacar;
Uma frase misteriosa
Como o gemido do mar,
Em noite erma, e saudosa,
De meigo, e doce luar.
Ah! se pudesse!… mas muda
Sou, por lei, que me impõe Deus!
Essa frase maga encerra,
Resume os afetos meus;
Exprime o gozo dos anjos,
Extremos puros dos céus.
Entretanto, ela é meu sonho,
Meu ideal inda é ela;
Menos a vida eu amara
Embora fosse ela bela.
Como rubro diamante,
Sob finíssima tela.
Se dizê-la é meu empenho,
Reprimi-la é meu dever:
Se se escapar dos meus lábios,
Oh! Deus, – fazei-me morrer!
Que eu pronunciando-a não posso
Mais sobre a terra viver.

Maria Firmina dos Reis
Cantos à Beira Mar, São Luís do Maranhão, 1871, pags. 45-46

Fontes: Nascimento Morais Filho, poeta, escritor e acadêmico
e Jornal de Poesia.
*Publicado por SAM no  O Bar Do Ossian (http://renascimentolusitano.blogspot.com/)
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MISTÉRIO

maio 19, 2009

Franck J (Al Tphotos.com)

Fotografia: Franck J (Al Tphotos.com)

FALA COMIGO, MISTÉRIO, que dás perfume aos cravos.Fala comigo, Mistério, que luzes em cada estrela.

Fala comigo, Mistério, que reges colméias e sistemas planetários.

Responde ao meu chamado, Mistério, que vivificas o átomo.

Atende-me Tu, que divinizas o amor, e és o Amor.

Conversa comigo, Mistério, que faíscas na mente do sábio, na devoção do místico, na ação do justo, na obra do artista, na pureza do santo, na renúncia do eremita, na inocência da criança, na divindade do amor materno, na veêmencia colorida da primavera, no deslumbramento do cosmonauta, na incógnita que desafia a ciência, na ternura de todos os ninhos.

Fala comigo.

Mas fala bem alto, pois ruídos impertinentes não me deixam ouvir Tua eternidade; a zoada do multissonoro envolvente me ensurdece e não consigo escutar Tua Unidade; as gargalhadas dos prazeres libertinos e os gemidos dos amargores todos do mundo fazem para mim inaudível Tua Canção de Paz.

Fala…E não demores.

Presa do tempo, minha alma vibra na ansiedade de retroceder às imateriais fibras de seu cerne, de onde vem Tua Fala que não chega.

Fala comigo, Mistério. E leva-me na aventura do Insondável, para além das fronteiras da percepção, para longe da pobreza criada por Teu Silêncio, da miséria que nasce de Tua Ausência.

Fala comigo, Mistério.

Mas, antes, ensina-me a ouvir-Te.

 

Hermógenes, Mergulho na paz.

*Publicado por SAM no blog Reflexões de Nós (http://reflexoes-de-nos.blogspot.com/)