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fevereiro 11, 2009

janeiro 2009

 

Aniversario em 28 de janeiro e, talvez por ser o primeiro mês do ano é que após completar mais um ano de vida sinto que o ano realmente começou para mim. Não por querer, mas pelas questões que se apresentam na minha caminhada vou me descobrindo e redescobrindo num incessante jogo , num determinado dia , em momentos, onde penso o que fiz, o que quero, o que posso, e principalmente,o quanto ainda posso desejar para mim entre realidade e sonhos.
Quando aproximei da casa dos quarenta, pareceu-me que alguns elos se desfizeram, libertando-me de coisas caducas e me deslumbrei com portais maravilhosos. Renovei-me por completo. Aos cinqüenta, se alguns deles desfizeram-se em ilusões ou entrei pela porta errada , mostrou-me o quanto ainda é belo sonhar.
No mínimo três pessoas de ideologias religiosas distintas e em épocas diferentes me disseram que viveria muito e muito bem. Será que terei sabedoria suficiente para viver bem por tanto tempo? Prefiro entregar meu futuro a Deus e fazer por vezes, o que o Diabo gosta. Mas tal uma criança, seguro nas mãos de Deus e não esqueço de procurá-lo como quem recorre ao pai com medo da escuridão.

E se é verdade que viverei tanto tempo, como dizem , e até então acreditava sem questionamentos o que já estava pré-definido como sendo todo ele voltado para o amor que imaginava ser somente o universal. Agora penso também no meu espaço-tempo, no amor de mulher. E penso se dos sessenta aos noventa isso será possível. Então, lendo o livro Memória de Minhas Putas Tristes, de Gabriel Garcia Márquez, descobri em mim uma rebeldia tardia e uma inquietação que nem em época apropriada tive. Descobri sob um mar tranqüilo, um redemoinho de mar – amar a vida- no mar da vida. E comecei a sonhar tanto quanto me foi possível medrar e desejar…

 

“(…) tomei consciência de que a força invencível que impulsionou o mundo não foram os amores felizes e sim os contrariados. Quando meus gostos musicais entraram em crise me descobri atrasado e velho, e abri meu coração ao acaso.”
“(…) Me pergunto como pude sucumbir nesta vertigem perpétua que eu mesmo provocava e temia. Flutuava entre nuvens erráticas e falava sozinho diante do espelho com a vã ilusão de averiguar quem sou. “
“(…) Naquela noite descobri o prazer inverossímil de contemplar, sem as angústias do desejo e os estorvos do pudor, o corpo de uma mulher adormecida.”

“(…) Por que você me conheceu tão velho? Respondi com a verdade: A idade não é a que a gente tem, mas a que a gente sente.”

“(…) comprovei que não apenas era possível, mas que eu mesmo, velho e sem ninguém, estava morrendo de amor. E também percebi que era válida a verdade contrária: não trocaria por nada deste mundo as delícias do meu desassossego. Havia perdido mais de quinze anos tratando de traduzir os cantos de Leopardi, e só naquela tarde os senti a fundo: Ai de mim, se for amor, como atormenta.”

“(…) e uma vez mais comprovei com horror que se envelhece mais e pior nos retratos que na realidade.”

“(…) A verdade é que eu não aguentava minha alma e começava a tomar consciência da velhice pelas minhas fraquezas diante do amor.”

“(…) mas o amor pôde mais que a razão.”

“(…) passava as noites num estado de deslumbramento que não me permitia ler nem escutar música, e em compensação passava o dia dando cabeçadas por causa da sonolência sonsa que não servia para dormir.”

“(…) Não senti dor nem medo, mas a emoção arrasadora de ter conseguido viver até ali.”

“(…) Desde então comecei a medir a vida não pelos anos, mas pelas décadas. A dos cinqüenta havia sido decisiva porque tomei consciência de que quase todo o mundo era mais moço que eu. A dos sessenta foi a mais intensa pela suspeita de que já não me sobrava tempo para me enganar. A dos setenta foi terrível por uma certa possibilidade de que fosse a última.Ainda assim, quando despertei vivo na primeira manhã de meus noventa anos na cama feliz de Delgadina, me atravessou a idéia complacente de que a vida não fosse algo que transcorre como um rio revolto na grelha e continua assando-se do outro lado por noventa anos a mais. “

 

GRACIAS A LA VIDA!
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