Archive for dezembro \15\UTC 2008

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Donna Mi Priego

dezembro 15, 2008
 Foto by Raquel Vazoler

Foto by Raquel Vazoler

 

Se amor é troca

ou entrega louca

discutem os sábios

entre os pequeno

e os grandes lábios

 

no primeiro caso

onde começa o acaso

e onde acaba o propósito

se tudo o que fazemos

é menos que amor

mas ainda não é ódio?

a tese segunda
evapora em pergunta

que entrega é tão louca

que toda espera é pouca?

qual dos cinco mil sentidos

está livre de mal-entendidos?

 

Paulo Leminski

 

Postado no Sam ( http://sentimentos-samblogspot.com)

 

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Dominatio

dezembro 15, 2008
Eu quero é derrapar
Nas curvas do seu corpo
Surpreender seus movimentos


Virar o jogo


Eu quero é beber, o que dele
Escorre pela pele
E nunca mais esfriar
Minha febre…
Isabela Taviani
(LUXÚRIA)
foto by Jean_delville

foto by Jean_delville

Prometo
ser carinhosa e delicada
Despir-te devagarzinho…
Sentir teu cheiro, teu calor…
E num beijo longo
fazer crescer o teu desejo
depois … entregar-me
ao transe louco e incessante
vagueando em cada centímetro do teu corpo
qual mulher dos ventos, dos raios e tempestades
exalando perfume de rosas vermelhas
na tua pele quente e escorregadia

Sabes que gosto de dominar
que adoro cavalgar em teu corpo
a bel prazer
desvairada
extasiada
na loucura infernal
que de mim se apossa
e a que me entrego
sem pudores

Te prometo
uma dor, um grito selvagem
que te fará explodir de prazer
expelindo o teu gozo farto
entre gargalhos e gemidos
sabes que gosto assim…
E quando esta mulher intempestuosa
saciada se for
tornar-me aragem suave
banhar-te em mansas águas
e te fazer sonhar….
Sonhos azuis
com os carinhos meus.
Postado por Desnuda ( http://samdesnuda.blogspot.com)

 

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O HOMEM, A LUTA E A ETERNIDADE

dezembro 15, 2008
Adivinho nos planos da consciência
dois arcanjos lutando com esferas e pensamentos
mundo de planetas em fogo
vertigem
desequilíbrio de forças,
matéria em convulsão ardendo pra se definir.
Ó alma que não conhece todas as suas possibilidades,
o mundo ainda é pequeno pra te encher.
Abala as colunas da realidade,
desperta os ritmos que estão dormindo.
À guerra! Olha os arcanjos se esfacelando!
Um dia a morte devolverá meu corpo,
minha cabeça devolverá meus pensamentos ruins
meus olhos verão a luz da perfeição
e não haverá mais tempo.

Murilo Mendes.
Liberdade!
Antologia de Rui Barbosa
Liberdade! Entre tantos, que te trazem na boca, sem te sentirem no coração, eu posso dar testemunho da tua identidade, definir a expressão do teu nome, vingar a pureza do teu evangelho; porque, no fundo da minha consciência eu te vejo incessantemente como estrela no fundo obscuro do espaço.(…)
Enquanto a fascinação do teu prestígio podia ser útil a uma deslocação do poder, tua áurea lenda foi o estribilho dos entusiastas, dos ambiciosos e dos iludidos (…) tu és o centro do sistema, onde ambas essas idéias alongam as suas órbitas, e, no dia em que te apagasses, ou desaparecesses do universo moral, a que presides, incalculáveis perturbações transtornariam a ordem das esferas políticas, abismando a pátria e a república no eclipse de uma noite indefinida.
Dos que deveras te amam, e te entendem, nem a república, nem a pátria podem receber detrimento; pois tu és para uma e para outra a maior das necessidades, a mais segura das garantias.
A democracia, que te nega, ou te cerceia, engoda os povos com o chamariz de uma soberania falsa, cujo destino acaba sempre às mãos das facções, ou dos aventureiros, que a exploram.Não te chamas dominação: chamas-te igualdade, tolerância e justiça.
 
Somos todos poetas
Murilo Mendes
.
Assisto em mim a um desdobrar de planos.
as mãos vêem, os olhos ouvem, o cérebro se move,
A luz desce das origens através dos tempos
E caminha desde já
Na frente dos meus sucessores.
Companheiro,
Eu sou tu, sou membro do teu corpo e adubo da tua alma.
Sou todos e sou um,
Sou responsável pela lepra do leproso e pela órbita vazia do cego,
Pelos gritos isolados que não entraram no coro.
Sou responsável pelas auroras que não se levantam
E pela angústia que cresce dia a dia.
Publicado no Blog Nova Águia – O BLOGUE DA LUSOFONIA  em 15 de dezembro de 2009 (http://novaaguia.blogspot.com/)

 

(O Homem, a luta e a eternidade)

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O PODER

dezembro 15, 2008

Eis o poder: seus palácios

hospedam reis e vassalos,

messalinas, pagens glabros,

eunucos, aias e lacaios,

e até artistas e ratos

 

 

 

 

Uma só  migalha basta

à sordícia que se alastra,

e pronto surge uma talha

onde o cenário é lavado

para o próximo espetáculo.

 

O poder é assim: devasta

corrompe, avilta, enxovalha,

do reles pároco ao papa,

e não há um só que escape

ao seu melífluo contágio.

 

Se alguém o nega ou o afasta,

compram-no logo, à socapa,

a peso de ouro ou de prata.

E se caso não o fazem,

mais simples ainda: matam-no.

 

Tem o poder muitas faces:

a que se crispa, indignada,

 a que te olha de soslaio,

a que purga e chega às lágrimas,

 a que se oculta, enigmática.

 

Mas são apenas disfarces,

formas várias que se esgarçam,

por entre véus e grinaldas,

porque assim vertem mais fácil

o vitríolo em tua taça.

 

E tu, rei de Tule, aos lábios

levas sempre, ávido, o cálice,

não por amor nem saudade

de quem se foi, entre vagas,

de um castelo à orla do mar,

 

mas só porque, embriagado,

são de engodo as tuas asas

e de cobiça os teus passos,

que vão além das sandálias

e se arrastam rumo ao nada.

 

O poder é aquele pássaro

Que te aguarda sob os galhos.

Tudo ele dá, perdulário.

De ti quer apenas a alma.

Por inteiro. Ou a retalho.

 

 

Ivan Junqueira, Rio de Janeiro, 1934

 

 

( Transcrito de Poemas reunidos, PP.242-243)

Publicado no Bar do Ossian em 14 de dezembro de 2008

http://renascimentolusitano.blogspot.com/