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MEUS “ORIENTES”

setembro 1, 2008
O Oriente tem sido uma paixão constante na minha vida: não, porém, pelo chamado ” exotismo” – que é atração e curiosidade de turistas – mas pela sua profundidade poética, que é uma outra maneira de ser da sabedoria. Como cristalizou em mim esse sentimento de admiração emocionada por esses povos distantes, não é fácil de explicar em poucas linhas. Mas foi uma cristalização muito lenta, dos primeiros tempos da infância. E lembro-me nitidamente desses antigos encontros, que me deixavam tão pensativa e interessada, antes que eu pudesse advinhar, sequer, a sua significação. (…)A babá Pedrina sabia muito do Oriente, de tanto fazer chá, cuhjas folhas vinham numa caixa maravilhosa da Índia ou da China.( …)Mas as suas intuições orientais se concentravam numa canção que me parece andava na moda, por aquele tempo, e que começava assim: ” Não és tu quem eu amo, não és!/ Nem Teresa, nem mesmo Ciprina,/ nem Mercedes, a loura, nem mesmo/ a travessa, gentil Valentina…” A cantiga continuava com a descrição da mulher amada: ” Quem eu amo, te digo, está longe,/ lá nas terras do império chinês,/ num palácio de louça vermelha,/ sob um teto azul japonês.” (…)*Trechos extraídos do livro de crônicas de Cecília Meireles ” O QUE SE DIZ É O QUE SE ENTENDE”, pág. 36

 
 
 

 

Gosto de estar relendo este livro… impressionante como ao lermos, de certa forma todas as coisas se assemelham ou nós “criamos” estas semelhanças com imagens, às nossas recordações.
 Então lembro-me do casal de japoneses, amigos de minha família ( moravam na mesma rua que minha avó materna). Seu Noboro Okono e dona Suzuka ( não sei se era mesmo assim os nomes). Seu Noboro trabalhava com lapidação de pedras preciosas, braço direito de Burlemax que confeccionava jóias….E eu adorava ficar vendo a montoeira de pedras que ficavam na frente da casa…o muro baixo…e eu maravilhada olhando…querendo algumas rsrs e envergonhada de pedir. Essas pedras eram sobras…E hoje estão em moda e caras! Um dia contei, acho, a minha vó..rrs e ganhei tantas pedras..mas tantas! Ah! Felicidade!Êxtase! Euforia! Até hoje sinto esta sensação gostosa ao lembrar-me. Só não gosto da parte em que ( na época morava em Vila Isabel,RJ) um dia visitando meus avós, cheguei correndo, como sempre , procurando minhas pedras e…minha avó resolveu faxinar a casa e jogá-las fora…ahhh!

Outra lembrança, que também até hoje me faz sentir-me ridícula rsrs…Vamos lá: Eu usava um óculos gatinho rsrs e era muito magrinha e num evento escolar – estudava no colégio Nossa Senhora de Lourdes – minha mãe levou-me a dona Suzuka, e resolveram vestir-me de japonesa! Meu Deus! Embora a roupa fosse linda e autêntica…dona Suzuka caprichou! Uma seda belíssima da própria, mas que ao tocá-la era fria e com cheiro de coisa guardada rsrs. E a hora que me vestiram? Eu muito magrinha…me enrolaram tanto com um ” obi”… que desconforto. Tenho ainda a foto..mas não gosto de vê-la…sem contar com o cabelo confeccionado também a moda japonesa, um coque com aqueles espetos ( grampos japoneses)..e com o óculos de gatinhos tortos rsrsrs.


Outras fotos e recordação que tenho: assim que saiu o chá em saquinho, minha mãe que sempre adorou receber em pequenas e em grandes ocasiões..e para ela tudo era motivo de comemoração… resolveu colocar todas as empregadas vestidas de japonesas rsrs para receber as amigas numa tarde de chá e” apresentar” a novidade.

Lembro-me também rsrs de dançar frevo com uma sombrinha autenticamente japonesa!


Mas o fato é que até hoje perduram meu fascínio pelos” meus orientes”: louças, copos e objetos vermelhos trabalhados, sedas, quadros, almofadas, enfim , toda a delicadeza e riqueza da arte oriental, sua cultura e filosofia.

 

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