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Nosso povo brasileiro

setembro 28, 2008

(…)
meu povo é doce
malandro sensual
é um povo gostoso
dançarino musical

meu povo é mestiço
linguarudo fofoqueiro
é um povo inteligente,
ignorante e condoreiro

(…)

 

 

 

Estes fragmentos da poesia de Glauber Rocha (cineasta, ator e escritor) retratam bem o povo brasileiro. É um povo com características peculiares de cada região, todas ricas em folclores e tradições. Em cada brasileiro, o linguajar é melodioso e característico. Povo surgido de diferentes matizes e matrizes, onde muitos são sábios iletrados.Darcy Ribeiro, em seu livro O Povo Brasileiro, descreve-o como um povo novo porque surge como uma etnia nacional, diferenciada culturalmente de suas matrizes formadoras, fortemente mestiças, dinamizada por uma cultura sincrética e singularizada pela redefinição de traços culturais oriundos.
Nesta reconstituição, ele enfatiza a confluência, ou seja, fala da união ocorrida entre portugueses, índios e negros, matrizes étnicas do Brasileiro. Ainda uma esclarecedora visão de Darcy Ribeiro, de um brasileiro para brasileiros :

 

 

“Foi desindianizando o índio, desafricanizando o negro, deseuropeizando o europeu e fundindo suas heranças culturais que nos fizemos. Somos, em consequência, um povo síntese, mestiço na carne e na alma, orgulhoso de si mesmo, porque entre nós a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Um povo sem peias que nos atenham a qualquer servidão, desafiado a florescer, finalmente, como uma civilização nova, autônoma e melhor. Nossa matriz africana é a mais abrasileirada delas. Já na primeira geração, o negro, nascido aqui, é um brasileiro. O era antes mesmo do brasileiro existir, reconhecido e assumido como tal. O era, porque só aqui ele saberia viver, falando como sua língua do amo. Língua que não só difundiu e se fixou nas áreas, onde mais se concentrou, mas amoldou, fazendo do idioma o Brasil um português falado por bocas negras, o que se constata ouvindo o sotaque de Lisboa e de Luanda..”

“Também, porque se vê a si mesmo e é visto como uma gente nova, um novo gênero humano diferente de quantos existam. E, porque é um novo modelo de estruturação societária, que inaugura uma forma fundada num tipo renovado de escravismo e numa servidão continuada ao mercado mundial. Novo, inclusive, pela inverossímel alegria e espantosa vontade de felicidade, num povo tão sacrificado, que alenta e comove todos os brasileiros.” (O Povo Brasileiro, Darcy Ribeiro).
Através da música e da literatura, podemos traçar um perfil deste povo moreno, caboclo, com variados tipos – do rural ao urbano – que caracterizam os ” Brasis” (Crioulo, caboclo, sertanejo, caipira, e os Brasis sulinos: gaúchos, matutos e gringos).
Jeca Tatu, personagem de Monteiro Lobato eternizou-se no linguajar designativo e pejorativo do roceiro. O Operário em Construção, de Vinicius de Moraes, retrata o tipo urbano pobre. O malandro, tipo bem brasileiro, a personificação de Bezerra da Silva e tão bem retratado nas músicas de Chico Buarque. Além de inúmeras figuras como João Francisco dos Santos, o Madame Satã, transformista brasileiro. Ainda na música Zé do Caroço de Leci Brandão , retrato bem atual de mais um tipo brasileiro.

Não deixo aqui o registro apenas das tipificações masculinas. As mulheres brasileiras, a sua força e bravura tiveram grande influência neste meu Brasil. De Amélia (música de Mário Lago) que exalta a mulher cordata, servil, companheira e passiva a inúmeras outras mulheres que infrigiram normas sociais e culturais como Chiquinha Gonzaga, que revolucionou a nossa música e hábitos, com o toque sensual e brejeiro da mulher brasileira.
Não poderia de registrar aqui a fortaleza, a garra da mulher nordestina, As paraibanas, chamadas mulher-macho, em nada incorpora a mulher masculinizada, mas a sua garra e fortaleza.
Belezas mulatas e índias são retratadas na literatura, música e pelos pincéis de Di Cavalcanti e Candido Portinari.
Finalizo, com uma pequena estrofe da poesia de Gilberto Freyre, “O Outro Brasil Que Vem Aí”

 

(…)

.
Eu ouço as vozes

eu vejo as cores

eu sinto os passos

de outro Brasil que vem aí

mais tropical

mais fraternal

mais brasileiro.

 (…)

 

 

Texto publicado por SAM no Nova Aguia: O BLOGUE DA LUSOFONIA

http://novaaguia.blogspot.com/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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